Um projeto de escola em Teresina-PI
Daniela Santana Andrade
Denise Helena Silva Duarte
As consequências da exploração descontrolada dos recursos do meio ambiente são amplamente discutidas e evidenciadas no cotidiano da vida contemporânea. Cenários para a próxima geração apontam para ar irrespirável, água não potável, resíduos impossíveis de administrar, combustíveis fósseis esgotados e um planeta inabitável.
Esses cenários para a geração futura podem e devem ser alterados com o uso de tecnologias, com a aceitação de que alguns dos recursos naturais são esgotáveis e com as práticas autossuficientes que criem uma relação saudável entre natureza, edificações e território das cidades, onde metade da população mundial e 81% da brasileira habita.
O fato de que metade dos recursos mundiais são consumidos pela construção civil prova a responsabilidade de arquitetos, engenheiros e designers em mudar esse quadro, tendo em vista a incapacidade do planeta em abastecer a demanda. O projeto arquitetônico é capaz e deve contribuir para a sustentabilidade.
Em geral, as edificações da região nordeste do Brasil, inclusive na cidade de Teresina, de clima rigoroso, não oferecem ao usuário o conforto térmico adequado. O uso de recursos artificiais de refrigeração nessa região do país são excessivamente empregados a fim de tornar vivenciável o ambiente. Levando, assim, ou a um consumo exacerbado de energia elétrica com o uso de aparelhos de ar condicionados e ventiladores ou , quando não se paga por esse consumo pelas complicações políticas e econômicas nacionais, o conforto do usuário deixa de ser uma prioridade.
O estudo e a realização consequente de um projeto arquitetônico que coloque como prioridade a qualidade do conforto do usuário por meio de práticas sustentáveis, é um exercício em que projeto e construção levam ao desenvolvimento que atende a sociedade contemporânea, sem prejudicar as futuras gerações de conseguirem suprir as suas necessidades. O objetivo deste trabalho não é somente projetar com eficiência térmica, mas também com eficiência energética através de um projeto experimental escolar na cidade de Teresina.
A opção de empregar e exemplificar essa linha de estudo em unidades de ensino é de fácil justificativa. A importância da escola na sociedade em que vivemos é indiscutível. O seu papel é cultivar na população uma base para o alargamento intelectual e moral da sociedade.
Segundo Ornstein e Borelli (1995) , os problemas dominantes das edificações escolares se referem aos atributos de conforto térmico e funcionalidade.
Iluminação, ruído, mobilidade, conforto e ergonomia são fatores que influem diretamente sob o rendimento de atividades de trabalho. Fazer uso de uma arquitetura eficiente é necessário nos edifícios escolares para a obtenção do conforto do usuário sem prejudicar o meio ambiente.
Retomando a discussão da necessidade de aplicar a sustentabilidade na sociedade atual, o tema escolhido para esse trabalho é o projeto de um edifício escolar municipal na cidade de Teresina com enfoque no uso eficiente das questões sustentáveis em projeto e construção.
A pesquisa, em uma primeira etapa, se iniciou com um levantamento e estudo bibliográfico sobre conceitos e discussões dos ramos da sustentabilidade, contextualizando o tema no mundo e no Brasil. Também fez parte desse levantamento o papel do projeto e da construção sustentável e o do edifício escolar, além da retomada de conceitos do conforto ambiental. Com essa fase se pode abranger a compreensão geral do significado do projeto de arquitetura pensado sob a ótica da sustentabilidade, dando ênfase ao estudo do conforto ambiental.
A segunda etapa englobou pesquisa da cidade de Teresina e sua consequente escolha do terreno. Nesse momento, foram coletados os dados projetuais exigidos pelas normas e prefeitura. Entende-se que o arquiteto deve responder a todas as expectativas do usuário e do cliente, atendendo o programa solicitado, sem deixar de propor soluções inovadoras e eficientes. Pesquisas em escolas municipais fazem parte desta etapa, juntamente com as pesquisas de campo no terreno para o fechamento do programa da unidade a ser feita, unido com o estudo macroclima e mesoclima do local do projeto.
Em um terceiro momento, realizou-se a parte projetual, chegando a um projeto legal com estudos que concretizem uma avaliação do desempenho térmicodas salas de aula.
Resumo técnico:
Projeto de escola-praça municipal de ensino fundamental, abrigando 10 salas de aula, biblioteca, refeitório, quadra coberta, equipamentos de lazer abertos a comunidade entre outros elemento.
If you can see this, then your browser cannot display the slideshow text.
- ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6401:1980 Instalações Centrais de Ar condicionado para conforto – Parâmetros Básicos de Projeto (NB 10). Rio de Janeiro: ABNT, dez. 1980.17p.
- _____.NBR 10152: 1987: Níveis de ruído para o conforto acústico (NB 95). Rio de Janeiro: ABNT, dez. 1987. 4p.
- _____. NBR 5413:1992 Iluminância de Interiores. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro: ABNT, 1992.
- ____. NBR 9050: 2004. Acessibilidade e Edificações, Mobiliário, Espaço e Equipamentos Urbanos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.
- ____. NBR 15220-1:2005. Desempenho térmico de edificações – Parte 1: Definições, símbolos e unidades. Rio de Janeiro, 2005ª.
- ____. NBR 15220-3:2005. Desempenho térmico de edificações – Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e estratégias de condicionamento térmico passivo para habitações de interesse social. Rio de Janeiro, 2005c.
- ____. Projeto 02:136.01-001/1:2006. Desempenho de edifícios habitacionais de até 5 pavimentos. Parte 1: Requisistos gerais. Rio de Janeiro, 2006.
- ANDRADE, A. F. S. Arquitetura Residencial Modernista: A influência da escola carioca nos projetos de Anísio Medeiros em Teresina. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Brasília. Brasília, 2005.
- Brandão [et al]. Conforto e desempenho térmico nas edificações do novo centro de pesquisas da Petrobras no Rio de Janeiro. Ambiente Construído (Online), v. 10, n. 1, p. 7-29, 2010.
- CIBSE. Mixed mode ventilation. CIBSE Applications Manual AM13: 2000.
- EDWARDS, B. Guia básico para a sustentabilidade. Barcelona: G. Gili, 2005. (edição em português)
- GIVONI, B. Climate considerations in urban and building design. New York: John Wiley & Sons, 1998.
- GONÇALVES, J. C. S.; DUARTE, D. Arquitetura Sustentável: Uma integração entre Ambiente, Projeto e Tecnologia em Experiências de Pesquisa, Prática e Ensino. Ambiente Construído (Online), v. 6, p. 51-81, 2006.
- GOULART [et al]. Bioclimatologia aplicada ao projeto de edificações visando o conforto térmico. 1994. 80 p. il. Relatório interno n.02/94 – Núcleo de Pesquisa em Construção, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1994. Disponível em: www. labeee.ufsc.br/publicações Acesso em: jun. 2011.
- IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE Cidades. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 Acesso em: 10 maio 2011.
- IPT - INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS. Desempenho térmico de edificações habitacionais e escolares. São Paulo: IPT, 1987.
- ____. Critérios mínimos de desempenho para habitações térreas de interesse social. São Paulo: IPT, 1998.
- LATORRACA, Giancarlo; João Filgueiras Lima - Lelé; São Paulo: Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, 2000
- LIMA, M. W. de S.. Arquitetura e educação. São Paulo: Studio Nobel, 1995.
- MACIEL, A. C.; MEDEIROS, R. M. de M. Estudo da direção predominante do vento em Teresina- Piauí. Maceió: V CONNEPI – 2010. Disponível em: http://connepi.ifal.edu.br/ocs/index.php/connepi/CONNEPI2010/paper/viewFile/595/362 Acesso em: 19 jun 2011.
- MEIRIÑO, M. J. Arquitetura e sustentabilidade. São Paulo: Arquitextos, n. 047, texto especial 227, abr. 2004. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.047/595 Acesso em 20 jun 2011.
- MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA -MEC. Fundo de Fortalecimento da escola. Espaços Educativos. Ensino fundamental. Subsídios para elaboração de projetos e adequação de edificações escolares. Brasília: FUNDESCOLA/ MEC, 2002. V1. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000575.pdf Acesso em: 23 jun 2011.
- MUELLER, C. M. Espaços de ensino-aprendizagem com qualidade ambiental: O processo metodológico para elaboração de um anteprojeto. Dissertação (Mestrado)- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007.
- NEUTRA, R.. Arquitetura social em países de clima quente. São Paulo: Todtmann, 1948.
- ORNSTEIN. S. W.; BORELI NETO. J. (Coord.). O desempenho dos edifícios da rede estadual de ensino. São Paulo: USP/FAU, 1993.
- ROGERS, R.; GUMUCHDJIAN, P. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona: G. Gili, 1997(edição em português).
- TERESINA. PREFEITURA. Código de Obras e Edificações de Teresina. Teresina:2007. Disponível em http://www.teresina.pi.gov.br/portalpmt/orgao/SEMPLAN/ Acesso em 20 jun 2011.